sábado, 25 de janeiro de 2014
Sobre apego, acomodação e adaptação
Era uma vez um sapato lindo, raro, caro e apaixonante, desses que combinam com quase tudo. Como ele combinava comigo! Mas ele me fazia calo. Muito calo! Mesmo não querendo sair com ele, porque eu sabia o quanto ia me machucar, eu não queria me desfazer. Queria deixá-lo ali, guardadinho. Meu. Intocável. Ninguém mexe. Ninguém pega. Ninguém vai ter. Só eu!
O que eu poderia pensar? Que ele iria, como num passe de mágicas, se moldar a mim, até caber direitinho? Ou que meu pé, quem sabe, fosse mudar de forma e tamanho? Não. Eu sabia que não. Mas eu queria saber que ele estava lá.
Fiquei pensando que a gente tem dessas, de se apegar a tudo. Até ao que não nos cabe. Mesmo que nos machuque. De se acostumar até com o que nos faz mal.
Existe uma grande diferença entre adaptação e acomodação. A primeira te torna capaz de manter o controle diante de uma situação aparentemente, ou momentaneamente incontrolável. Diante de uma grande mudança, você cria alternativas, onde elas parecem não existir, de manter o próprio bem estar.
A segunda te paralisa. Você aceita a condição e vive preso nela a vida inteira. Acha um cantinho para se aninhar e ali permanece encolhido. Não cresce. Não aparece. Não vai para frente. Definitivamente, não quero ser desse time. Quero ser do time dos que vão e, principalmente, dos que deixam ir...
P.s. Quer saber o que eu fiz com o sapato? Essa história nunca teve a ver com sapatos.
sábado, 10 de agosto de 2013
Sonho maluco
Eu tive um sonho que começava com o sol se pondo na beira do rio Acre. Era um sonho louco, com cheiro de pitanga, com beijos na chuva, risadas no bar, na rua, na cama. Eu chupava um sorvete estranho, com gosto de gelo e mais nada. Eu também dançava. Dançava que cansava. Não lembro muito bem, mas havia uma barraca. É, havia uma barraca. Parece que eu acampava, mas minha barraca era armada dentro de uma cozinha. Juro! E eu ria e chorava. Disso me lembro bem. Se eu me recordo direito, eu fazia mágica para alguém. Eu era mágica no sonho. E era feliz também. Ah, eu andava pelada no mato. Ou eu tava de biquíni? Eu sei que tinha uma rede. Sim, eu deitava numa rede e ficava lá a tarde inteira. Depois eu comia pizza. Nada a ver, né? Mas eu comia muita pizza. Aliás, eu comia muita coisa nesse sonho. A última coisa que eu comia era um camarão delicioso. Só podia ser sonho mesmo. Que sonho maluco! Terminava na beira do rio Acre. O sol se punha no começo e também no fim. Lá, no mesmo lugar, eu me dei conta de que nada era real. Aí eu acordei.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Doses paliativas de verdade
Deixe
de choro. Deixe de manha. Este não é o primeiro e nem será o último amor a ser
enterrado vivo. Jogue terra, depois caminhe. Por sarcasmo divino nascemos
humanos para aprendermos a ter sangue de barata. Sinta... Sinta o suficiente para
perceber o quanto é importante ser racional. Um copo de verdade por dia te cura dos clichês e contos de fadas. O príncipe aqui é também vagabundo. A
princesa aí não é a única bela entre as feras. Ame o amor, mas ame mais a
liberdade. E aprenda a voar como eu.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Do tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Caetano Veloso
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Alice no país das ironias
Me mandaram lembrar de esquecer o script. Mandaram
esquecer de lembrar o roteiro. E, num
instante, a principal regra era dormir no ponto e acordar para a vírgula. Então
continuei. Caminhei e foi possível ver sorrisos num bosque escuro. Lá, um
passarinho me contou que amava a liberdade, e se prendeu a mim por livre e
espontânea vontade. Me disse que ninguém segura o tempo quando passa e muda a
direção do vento. Não há velas atadas que salvaguardem o destino certo. É curto
o espaço entre o nunca e o agora. Entre o sempre e o fim e entre planos e
promessas existe o acaso, o desvio, a surpresa. E aí, vejam só, nasceram
pitangas em pleno inverno. Pitangas que crescem no meio da chuva. Encharcadas.
Submersas... Agora a vida é isso: ouvir gargalhadas no silêncio.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Já sinto o mar me chamar...
O vejo acenar em cada tom de azul a pintar o mundo. Já o ouço chamar no barulho das águas que me beijam os pés e me inundam a alma. Sinto em forma de brisa leve, ondas baixas e breves que me arrastam em sonhos. Eu já sinto o gosto do mar que escorre de mim pelos olhos e se encaminha até a boca. Já sinto o mar me chamar pra dizer que é meu, uma parte. Que sou dele uma gota. Sou dele e do mundo.
Assinar:
Postagens (Atom)

